terça-feira, 29 de setembro de 2015

O conceito família no século XXI

No princípio era o verbo, mas vieram os afixos.



Em 2011, o americano Arthur foi diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica, doença que não tem cura e impossibilita o paciente de se mover e falar. Jim, seu companheiro, cuidou dele por dois anos, até que aquele faleceu. “Ironicamente” eles não tiveram seus direitos familiares reconhecidos, uma vez que a maioria dos estados americanos não reconhece a união homossexual como família, mas eu te pergunto, caro leitor: se Arthur e Jim não eram uma família, o que eles eram? 

Casos como esse se repetem, mesmo em países que reconhecem a união civil entre pessoas do mesmo sexo. No Brasil, por exemplo, uma proposta de lei visa a definir o conceito de família priorizando determinados grupos sociais e discriminando outros. A proposta é de iniciativa de um parlamentar religioso que, ignorando a laicidade do Estado, engendra propostas sob sua visão religiosa.

Se bem que qualquer iniciativa que busque restringir o conceito de família no atual momento científico e social em que vivemos, é pautada por uma visão conservadora e religiosa. Mas, se formos nos ater a questões religiosas, a sociedade irá ruir; se tomarmos o Pentateuco como base da nossa jovem democracia, além de considerarmos a família como o conjunto formado por homem e mulher, precisaríamos matar os homossexuais queimados e crer que o Sol gira em torno da Terra – contrariando 100 anos da teoria da relatividade.

Não se pode permitir que a religião infrinja os direitos humanos conquistados a tanto custo, ou que ideologias retrógradas limitem o direito de um indivíduo. A sociedade muda, portanto os conceitos sociais mudam, e as leis devem acompanhar a evolução social oferecendo condições dignas àqueles que vivem sob sua proteção.

Jim e Arthur eram uma família, qualquer casal homossexual forma uma família, porque o princípio da família é o da união entre indivíduos com laços afetivos, e isso não inverte valores consagrados, pelo contrário, apenas acrescenta. É necessário conscientizarmo-nos de que somos integrantes de uma sociedade em constante evolução, ainda que à luz daquele que criou tanto hétero quanto homossexual e viu que tudo era muito bom.

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