terça-feira, 29 de setembro de 2015

Justiça com as próprias mãos?

É notório o crescimento da violência no Brasil atualmente, seja nas favelas, na Zona Sul do Rio de Janeiro, em Santa Catarina ou no Nordeste. Em todo o país há o medo do perigo iminente, medo de não saber se voltará são e salvo para casa ao final do dia. Atordoados, cidadãos começam a reagir formando grupos que assumem o papel da polícia e da Justiça, caçando, julgando e penalizando marginais de acordo com o que pensam ser o certo, e se autodenominam “justiceiros”.

Apesar de tais ações serem compreensíveis, não se deve apoiá-las, pois fazem uso de pura violência e de pensamentos radicais em sua maioria. Um bom exemplo é o adolescente de 15 anos que foi agredido, mutilado (perdeu parte da orelha) e preso a um poste com uma trava de bicicleta no bairro do Flamengo, área nobre do Rio de Janeiro, acusado de participar de diversos assaltos na região. Esse ato bárbaro recebeu considerável apoio, o que é preocupante, pois perde-se facilmente o critério do que é condenável, ampliando os alvos dos justiceiros. Hoje, o jovem bandido, negro e pobre, é  perseguido. Amanhã pode ser o homossexual, o manifestante, o não-cristão.

De fato, as corporações de segurança são precárias, mal preparadas, e o exemplo de violência desmedida vem da própria polícia, cuja função é assegurar o bem-estar e a proteção da população, e não torturar, promover chacinas e abusar do uso da força, como é visto em larga escala no Brasil. Todavia, fazer justiça com as próprias mãos torna-se também um crime, por vezes pior do que aquele cometido pela vítima dos justiceiros.
Em suma, a população, ao invés de se organizar para perseguir e agredir assaltantes, deve fiscalizar constantemente e cobrar dos governantes melhorias nas forças de segurança, no sistema carcerário e na Justiça. Do contrário, podemos retroceder na condição de Estado livre e democrático para uma situação de barbárie.

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